CASAMENTO
O que é o casamento?
É uma Instituição Divina pela qual um homem e uma mulher se unem por vontade própria numa comunhão social e legal com o propósito de estabelecerem uma família {Gn 1.27-28; 2.18-24}. É permanente e só pode ser dissolvido pela morte {Rm 7.2-3; 1 Cor 7:39} ou, excepcionalmente, pelo divórcio {Mt 19.3-9}.
O objetivo do casamento: Formar a família
Condições para o casamento:
- Ser homem e mulher – Casamento é uma aliança heterossexual exclusiva entre um homem e uma mulher, ordenada e selada por Deus.
- Deixar pai e mãe – A palavra hebraica usada aqui é “azab” que significa abandonar, deixar para trás, deixar sobrar, entregar, confiar.
- Unir-se um ao outro – A palavra hebraica usada aqui é “dâbaq” que significa juntar-se, unir-se, ligar-se um ao outro. Os passos 2 e 3 deixam clara a idéia de pacto, aliança.
- Tornar-se uma só carne – O homem que une a prostituta se torna com ela uma só carne, porém não estão casados apesar disso. Logo, podemos dizer que a união sexual por si só não sela um casamento. Isso só ocorre quando a união sexual é posterior ao pacto mútuo de deixar e se unir – “Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.” 1 Coríntios 6:16
Um Homem e Uma Mulher – Deus estabeleceu que essa união só existe entre um homem e uma mulher, portanto, é heterossexual e é exclusiva, ou seja, não há lugar para a bigamia, poligamia ou poliandria, nem qualquer outra de união marital, tais como concubinato ou amasiado (ter um cônjuge e um amante, também conhecido como mancebia) ou troca de parceiros.
Poliandria – Substantivo feminino. União conjugal com mais de um homem, simultaneamente. § po.li.ân.dri.co adj.; po.li.an.dro adj.
Deixar Os Laços Paternos – Deixar no sentido iniciar uma nova unidade ou de estabelecer uma nova autoridade. Também pode se considerar a dependência emocional, financeira e aspectos geográficos.
Ligação Contínua – Não é um encontro fortuito, uma relação fugaz, nem algo que se predetermina o tempo de duração, mas uma aliança permanente que perdura enquanto vivem os cônjuges.
Relações Sexuais – O Sexo à luz das Escrituras, foi criado para três propósitos: Selar a União do Casamento, Procriar e proporcionar prazer ao casal. Através do sexo nos conhecemos a nós mesmos e conhecemos o nosso cônjuge mais profundamente. Toda impureza cometida dentro ou fora do casamento será julgada por Deus. (1 Cor 6:9, 1 Ts 4:6 e Ap 21:8)
Os filhos - A presença de filhos num matrimônio é bênção do Senhor, porém o casamento sem filhos biológicos não pode ser julgado como um fracasso. Hoje, mais do que em qualquer outro tempo, sabemos que Deus pode abrir a madre concedendo filhos biológicos aos pais estéreis, como também pode abrir o coração do casal e conceder filhos adotados e filhos espirituais.
Por que somente o casamento, da forma como é revelado nas Escrituras, é válido diante de Deus?
1) Porque ambos (homem e mulher) foram criados por Deus e foram feitos um para o outro exclusivamente numa relação heterossexual.
2) Porque a mulher foi tirada do homem, portanto quando ela se une ao marido, ela retorna ao homem. Ambos formam uma unidade perfeita.
3) O princípio de retornar a Unidade revela Jesus e a Igreja (Efésios 5)
“E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Gênesis 2:23.24
“Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” Mateus 19:4.6
“porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.” Marcos 10:6.9
“Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.” Efésios 5:28.32
Casamento é uma aliança heterossexual exclusiva entre um homem e uma mulher, ordenada e selada por Deus, precedida do ato público de deixar os pais, consumada pela união sexual, resultando numa parceria permanente de apoio mútuo, e geralmente (nem sempre) coroada pela dádiva de filhos.
Quando o homem e mulher se casam, eles retornam a Unidade criada por Deus. O Senhor tirou do homem a mulher e restitui a mulher ao homem através do casamento. Por esta razão o casamento é o caminho de Deus para a formação da família.
Verdades importantes sobre o casamento.
- O casamento não foi estabelecido por uma lei humana, nem inventado por alguma civilização. Ele antecede toda a cultura, tradição, povo ou nação. É uma instituição divina. O casamento não é uma sociedade entre duas partes, onde cada uma coloca as suas condições. Deus é quem estabelece as condições.
- Quem se casa deve aceitar as condições estabelecidas por Deus. E não há nada o que temer porque Deus é amor e possui todo poder e sabedoria.
Duração do casamento
O casamento é sagrado e deve durar enquanto vivem os cônjuges.
O Vínculo Matrimonial
“De modo que já não são dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:6-11)
“A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver, contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor”. (I Cor. 7:39)
“Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se porém, ela vier a separar-se, que não se case, ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte da sua mulher.” (I Cor 7:10-11).
“Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.” Romanos 7:2.3
Estes textos nos mostram claramente que:
a) O vínculo matrimonial é realizado pelo próprio Deus: “O QUE DEUS AJUNTOU”.
b) O vínculo matrimonial é também uma unidade física. São: “UMA SÓ CARNE”.
c) O vínculo matrimonial não deve ser desfeito pelo homem. “NÃO SEPARE O HOMEM”.
d) Que a vontade de Deus é que o vínculo dure enquanto os dois cônjuges estão vivos. “A MULHER ESTÁ LIGADA AO MARIDO ENQUANTO ELE VIVER”.
e) Que a vontade de Deus é que os cônjuges não se separem. “QUE A MULHER NÃO SE SEPARE DO MARIDO…”
Casamento com incrédulo
Paulo, apóstolo aos gentios enfrentou uma problemática diferente do próprio Senhor Jesus (Apóstolo aos judeus), por esse motivo diz: “Aos mais digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula ***, e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido. (I Cor 7:12-13)
***(casados também – Se a ordem do Senhor para os casados incluíssem os incrédulos, como alguns defendem, Paulo não poderia acrescentar mais nada além do que o Senhor já havia dito anteriormente)
Este texto nos mostra que:
a) A mulher ou homem cristão que possui cônjuge incrédulo não deve se separar pela sua própria iniciativa. “Se ele ou ela consente em morar… NÃO O (A) ABANDONE.”
b) O vínculo matrimonial com Incrédulo é um caso incomum, não previsto anteriormente, até porque, o Senhor não administrou jugo desigual, durante seu ministério terreno, pois falou aos judeus. Porém, agora, através do Espírito Santo, dá instruções a Paulo, sobre como tratar os que se converteram, já casados, cujos cônjuges, permaneceram na incredulidade.
Pontos importantes para seguirmos adiante
Jesus Cristo foi enviado aos judeus
“Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” Mateus 15:24
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” João 1:11
Paulo foi enviado (apóstolo) aos gentios
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos em toda a Acaia,” 2 Coríntios 1:1
“Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos,” Gálatas 1:1
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus,” Efésios 1:1
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por vontade de Deus, e o irmão Timóteo,” Colossenses 1:1
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pelo mandato de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança,” 1 Timóteo 1:1
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, de conformidade com a promessa da vida que está em Cristo Jesus,” 2 Timóteo 1:1
“Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel;” Atos 9:15
“A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” Efésios 3:8
A formação e manutenção da família devem atender estes princípios.
SEPARAÇÃO
Primeiras grandes verdades sobre a separação de casais
“Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão. E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.” Malaquias 2:13.16
Se olharmos com atenção para este texto vamos ver pelo menos duas verdades que deveriam nos chocar: a primeira RATIFICA, REFORÇA E CONFIRMA que o casamento só existe porque quando fomos criados ÉRAMOS UM. A segunda, talvez mais chocante, é que Deus expressa neste texto o Seu sentimento sobre a separação dos casais, com ou sem motivo: DEUS ODEIA O REPÚDIO (A REJEIÇÃO).
Deus tem uma profunda aversão ao repúdio. Ele detesta a Rejeição.
Repudiar – Verbo transitivo direto.
1.Rejeitar (cônjuge) legalmente. – 2.Repelir, rejeitar. – 3.Abandonar, desamparar.
Outras verdades sobre a separação dos cônjuges
Na maioria das vezes a separação antecede o divórcio, portanto é importante que compreendamos a vontade de Deus sobre a Separação. A maioria das separações termina em divórcio. Os casais iniciam o processo de Divórcio a partir de uma separação motivada, muitas vezes, por brigas, contendas, desacordos, incompatibilidade, etc. As separações que ocorrem sem o pecado de PROSTITUIÇÃO, devem ser observadas sob a luz dos seguintes textos:
Vontade de Deus para o casal crente
“Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case, ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte da sua mulher.” (I Cor 7:10-11).
Vontade de Deus para um crente casado com um incrédulo
“Aos mais digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido.” (I Cor 7:12-13)
(1 Cor 7:12-15) – “…Mas, se o descrente, quiser apartar-se, que se aparte; “(Vs. 15)
De acordo com os textos acima, concluímos que:
1- A vontade de Deus, como já vimos, é que os cônjuges não se apartem.
2- É permitido haver separação.
3- Que o tratamento para o casal cristão é diferente do casal não cristão. (Aos mais…)
4- A INICIATIVA DA SEPARAÇÃO É SEMPRE DO INCRÉDULO E NÃO DEVE HAVER MOTIVOS DADOS PELO CRISTÃO
DEUS ODEIA A REJEIÇÃO (REPÚDIO)
DIVÓRCIO
O que é divórcio?
Dissolução legal do casamento. A lei de Moisés o tolerava se houvesse motivos que o justificassem {Dt 24.1-4}, mais tarde o Senhor esclareceu que o motivo verdadeiro era dureza de coração {Mc 10:5}. Jesus só autorizou o divórcio no caso de Prostituição {Mt 5.31-32}. Paulo legislou sobre um caso diferente relacionado aos gentios e consentiu quando o incrédulo se apartasse por sua própria iniciativa. {1 Co 7.10-16}.
Na Edição RC (Revista e Corrigida) você NÃO encontra a palavra Divórcio e sim Desquite. Possivelmente pelo fato do divórcio, no Brasil, ter entrado em vigor apenas em dezembro de 1977.
Muitos cristãos crêem que pelo fato da lei brasileira aprovar o divórcio, a igreja deve estar debaixo desta lei para estar submissa as autoridades brasileiras, porém nós não entendemos assim. Cremos que existe um limite para toda autoridade e este limite ocorre toda vez que a lei humana se esbarra na autoridade Divina. O mesmo ocorre com o aborto e outras leis injustas que os homens aprovam. Algum dia, a semelhança do que já existe em alguns países, o Brasil pode promulgar uma lei que proíba a pregação do Evangelho. Talvez, nestas circunstâncias, os cristãos brasileiros compreendam que a Verdade e Vontade Deus é maior do que a lei do homem.
Limite
“Há um limite básico para a obediência do cristão ao governo: ele tem que obedecer a Deus antes que ao homem (Atos 5:29). O cristão não pode nunca permitir que qualquer autoridade, de qualquer tipo, suplante a autoridade de Cristo. A autoridade de Cristo está acima da autoridade do pai, do esposo, do presbítero da igreja, do chefe no trabalho ou do funcionário do governo. Nunca podemos desculpar a desobediência a Deus baseados em alguma lei ou decisão do governo. Temos que obedecer a Deus antes que ao homem!
Pense numa ilustração moderna. Algumas vezes, as pessoas se valem das leis liberais do governo, a respeito do divórcio, para desculpar sua ignorância do que Deus disse. Basicamente a Bíblia condena o divórcio (Mateus 19:6) e diz que as pessoas que estão casadas segunda vez, estão cometendo adultério (Mateus 5:32; Marcos 10:11-12; Lucas 16:18; Romanos 7:2-3). Uma exceção é dada: aqueles que se divorciam de seus cônjuges por infidelidade sexual podem tornar a se casar (Mateus 19:9). Freqüentemente, o governo permite o divórcio e novo casamento por outras razões. Não podemos nunca pensar que a permissão do governo, automaticamente, significa a aprovação de Deus. Historicamente, os governos têm aprovado tudo, desde a idolatria até o assassinato. Mas, com permissão do governo ou não, um cristão jamais tem o direito de desobedecer a Deus.
Deus autoriza a existência do governo civil e manda os cristãos obedecerem. Mas, como em qualquer relacionamento humano, as expressas ordenanças de Cristo têm mais autoridade do que as ordens de qualquer homem ou instituição.” por Gary Fisher
JESUS ENSINANDO NO SERMÃO DO MONTE (MATEUS 5,6 E 7)
Por considerarmos que este tema é muito polêmico e também por enxergarmos que não é fácil abordá-lo, passamos a expor nosso entendimento, da mesma forma que estudamos e chegamos às conclusões que mostraremos a seguir.
Cremos que Deus nos guiou por este caminho e, portanto queremos abordá-lo na mesma seqüência. Iniciamos com os textos de Mateus 5, por entender que se trata das doutrinas de Jesus que foram ensinadas por sua própria iniciativa, ou seja, não eram respostas as perguntas dos fariseus ou dos discípulos.
Também escolhemos estes textos, porque ouvimos que possivelmente ele existiu mesmo antes do Evangelho de Mateus ter sido escrito. Por se tratar da “didach – didache” do Reino de Deus.
5:31.32 – Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério. (RA)
5:31.32 – Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério. (RC)
5:31.32 – Foi dito também: “Quem mandar a sua esposa embora deverá dar a ela um documento de divórcio.” Mas eu lhes digo: Todo homem que mandar a sua esposa embora, a não ser em caso de adultério, será culpado de fazer com que ela se torne adúltera, se ela casar de novo. E o homem que casar com ela também cometerá adultério. (BLH)
No Sermão conhecido, pela grande maioria dos cristãos, como “sermão do monte”, o Senhor Jesus, expõe sua doutrina que deixou a multidão maravilhada (Mateus 7:28). Ele também falou sobre o divórcio, após citar mandamentos da Lei. As Escrituras declaram que a Lei veio por intermédio de Moisés, mas a “graça e a verdade” vieram por intermédio de Jesus (João 1:17).
Em muitas ocasiões a graça e a verdade apresentadas por Jesus chocaram aqueles que conheciam a Lei de Moisés e também os que viviam debaixo do pensamento patriarcal, quer judeu, quer grego ou romano.
Por esta razão é importante, antes de avançarmos neste tema, consideramos as principais mudanças trazidas por Jesus dentro deste assunto.
O que mudou de fato? Quais foram as diferenças fundamentais referentes à relação marido e mulher apresentadas por Jesus?
Vamos citar as julgamos mais fortes:
1) O domínio masculino – Até Jesus, apenas o homem era possuidor da esposa e do seu corpo. Quando olhamos para Lei vemos que os homens poderiam casar com várias mulheres SOLTEIRAS. A lei diz: “Não cobiçarás a casa do seu próximo. a mulher, nem seu servo…(Ex 20:17 – Dt 5:21). O entendimento claro é que o homem apenas é proprietário da mulher. Apenas ele a repudia. Com Jesus, as verdades do Reino trazem um novo mandamento, elas vão mais além e faz com que o homem tenha a sua própria esposa e não várias. Que o seu corpo também pertence a ela e não apenas ela lhe pertence. Ela também pode repudiar o seu esposo. (Marcos 10:12 – 1 Cor 7:4). Um judeu devoto, naquela ocasião, costumava fazer todas as manhãs, antes de se levantar, a seguinte oração (beraka): “BENDITO AQUELE QUE NÃO ME FEZ GENTIO; BENDITO AQUELE QUE NÃO ME FEZ MULHER; BENDITO AQUELE QUE NÃO ME FEZ SEM INSTRUÇÃO (OU ESCRAVO). Deus no entanto, sempre protegeu as mulheres. Observe Deuteronômio 21:10 .14: “Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e o SENHOR, teu Deus, os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares cativos, e vires entre eles uma mulher formosa, e te afeiçoares a ela, e a quiseres tomar por mulher, então, a levarás para casa, e ela rapará a cabeça, e cortará as unhas, e despirá o vestido do seu cativeiro, e ficará na tua casa, e chorará a seu pai e a sua mãe durante um mês. Depois disto, a tomarás; tu serás seu marido, e ela, tua mulher. E, se não te agradares dela, deixá-la-ás ir à sua própria vontade; porém, de nenhuma sorte, a venderás por dinheiro, nem a tratarás mal, pois a tens humilhado.” MULHERES CATIVAS DE GUERRA PROTEGIDAS PELO SENHOR. Veja outro texto de Deuteronômio 22:13.19: “Se um homem casar com uma mulher, e, depois de coabitar com ela, a aborrecer, e lhe atribuir atos vergonhosos, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Casei com esta mulher e me cheguei a ela, porém não a achei virgem, então, o pai da moça e sua mãe tomarão as provas da virgindade da moça e as levarão aos anciãos da cidade, à porta. O pai da moça dirá aos anciãos: Dei minha filha por mulher a este homem; porém ele a aborreceu; e eis que lhe atribuiu atos vergonhosos, dizendo: Não achei virgem a tua filha; todavia, eis aqui as provas da virgindade de minha filha. E estenderão a roupa dela diante dos anciãos da cidade, os quais tomarão o homem, e o açoitarão, e o condenarão a cem siclos de prata, e o darão ao pai da moça, porquanto divulgou má fama sobre uma virgem de Israel. Ela ficará sendo sua mulher, e ele não poderá mandá-la embora durante a sua vida.” DIVÓRCIO PROIBIDO EM CASO DE DIFAMAÇÃO INJUSTA DA MULHER.Talvez uma forma de ver as mudanças geradas a partir de Jesus seja comparar o texto de Deuteronômio 22:22 “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel.” Com a passagem narrada por João no seu evangelho no capítulo 8, versículos 1 a 11 – A mulher flagrada em adultério foi levada a presença de Jesus pelos escribas que buscavam uma maneira de acusá-lo em alguma falta. Eles falaram em apedrejá-la, conforme a lei, porém aqui cabe uma pergunta: Onde estava o homem que se deitou com ela? Será que ele fugiu e não se deixou ser apanhado? Eles sequer citaram alguma coisa sobre o homem. Jesus mais uma vez protege a mulher, NÃO da lei de Moisés, mas da injustiça masculina com relação às mulheres. “Na sociedade antiga, tudo era edificado com base no código familiar, que era o fundamento da lei. O código familiar era definido por três pares de relacionamento: marido e esposa; pai e filho; e senhor e escravo. O papel de cada pessoa na sociedade era definido pelo código familiar – ninguém ficava de fora. Para gregos, romanos e judeus, o mundo era estritamente patriarcal. Uma pessoa, o marido/pai/senhor, controlava totalmente esposa, filhos e escravos”. A graça e a verdade que vieram por intermédio de Jesus, confrontaram radicalmente aquelas culturas. Mais tarde vamos encontrar os apóstolos ensinando os maridos a amarem suas esposas. Paulo chega a dizer que este amor deve como o amor de Jesus pela igreja.
2) Os motivos para o divórcio – Até Jesus, os motivos apresentados na lei para o homem repudiar a sua esposa e lhe lavrar carta de divórcio eram até certo ponto, obscuros (Dt 24:1). Tão obscuros que durante o ministério terreno de Jesus, as escolas rabínicas discutiam tais motivos. Até a data atual não chegamos a um acordo sobre estes motivos. Porém, a partir de Jesus e das verdades do Reino de Deus, o motivo é claro e, apesar das diferenças de entendimento, não podemos negar o que Jesus disse tão claramente e que mais tarde foi ensinado por seus apóstolos.
Considerando que o amor a Deus e ao próximo resume a Lei e os Profetas.
“O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.” Romanos 13:10
Considerando que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus
“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” João 1:17
Levando-se em conta que a Lei dada por Moisés é justa. Observamos, a partir deste ponto (Lei => graça e verdade), que o Senhor após citar mandamentos da Lei que a multidão já conhecia, falou as verdades concernentes ao Reino de Deus.
Vamos avaliar o conjunto de ensinos e avaliar passo a passo a apresentação deles por intermédio do Senhor Jesus:
Mateus 5:17.20 – Jesus confirma a Lei e não a revoga.
Mateus 5:21 – “Não matarás”(Êxodo 20:13/Deuteronômio 5:17) – A justiça da Lei neste caso protegia a vida humana e advertia para o fato do julgamento sobre o homicídio.
Mateus 5:22.26 – “A justiça do Reino porém que possui sua base na própria verdade (Jesus – Eu porém vos digo), excede a Lei nos seus cuidados e julgamentos. Trazendo também novos mandamentos. “Aqui Jesus condena o coração irado.”
Mateus 5:27 – “Não adulterarás” – A justiça da Lei aqui guarda o casamento e conseqüentemente a família (Êxodo 20:14 – Deuteronômio 22:22).
Mateus 5:28 – “Não olhar com intenção impura”- A justiça do Reino condena também a impureza do coração e abrange além da família, a própria santidade de Deus. Jesus condena o coração impuro.
Mateus 5:29.30 – A mutilação ordenada por Jesus neste caso, aponta para o fato de que não há bem algum na natureza humana. De certa forma nós nos mutilamos toda vez que morremos para que Ele cresça. Aqui a natureza do pecado é confrontada, nos fazendo lembrar o que o Senhor disse a Nicodemos: “importa nascer de novo”.
Mateus 5:31 – “Aquele que repudiar a sua mulher, dê-lhe carta de divórcio” (Deuteronômio 24:1-4). Aqui a justiça da Lei protege a repudiada. A mulher vivia em uma sociedade onde o homem predominava (patriarcal). O repúdio normalmente partia do homem e seus motivos egoístas poderiam ser muitos. O mandamento não é repudiar, mas libertar a repudiada através de um documento chamado carta de divórcio, para que ela possa se casar de novo e seguir a vida. Segundo Jesus, Moisés consentiu com o repúdio, por causa da dureza dos corações. Uma vez que o homem resolvesse repudiar a mulher, ele deveria antes lavrar o termo de divórcio e cumprir assim o seu desejo (Mat. 19:7 – Dt 24:1). Ou seja, a justiça protegia esta mulher “desprezada – abandonada – expulsa – despedida”.
Mateus 5:32 – “Eu porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério” – Jesus condena o coração “duro”. A justiça do reino agora revela que Deus condena o coração duro. Deus só consente o repúdio em apenas um caso. Lembrando que consentimento não é a vontade de Deus. A exceção prevista pelo Senhor é o caso de relações sexuais ilícitas (phornéia).
Embora o ensino aqui se reporte ao homem, podemos ver que à luz de Marcos, não apenas o homem está debaixo desta instrução, mas também a mulher. Qualquer um (homem ou mulher – Marcos 10:11 e 12) que repudiar o seu cônjuge, mesmo que não seja para se casar com outro(a), ele assume a responsabilidade e a culpa. Aquele que repudia (rejeita) seu cônjuge, o expõe ao adultério, pois se a(o) repudiada(o) se casar comete adultério. O pecado é tão sério a ponto de comprometer a vida daquele(a) que casa com a(o) repudiada(o).
O texto de Mateus 5:32 não diz que o homem quer casar de novo, portanto entendemos que a Verdade do Reino de Deus confronta as intenções egoístas que levam os homens a repudiarem suas esposas e vice-versa. O Senhor responsabiliza aquele que repudia, pois esta atitude expõe o outro ao adultério.
Cremos que existem muitos motivos egoístas, além do novo matrimônio, para que uma pessoa repudie seu cônjuge. Existem vários corações e alguns destes foram denunciados pelo Senhor Jesus.
OUTROS CORAÇÕES
A fim de jogar mais luz ao nosso entendimento, vamos ver que os motivos egoístas para o repúdio podem ir além do desejo de casar com outra pessoa.
Lucas 16: 14.18 – “E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele. E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração, porque o que entre os homens é elevado perante Deus é abominação. A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da Lei. Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.”
A avareza é um destes motivos denunciados pelo Senhor Jesus. Os fariseus, por exemplo, eram avarentos e certamente desprezavam direitos conjugais que a própria lei orientava.
OS DIREITOS CONJUGAIS
ÊXODO 21: 7.11 – “Se um homem vender sua filha para ser escrava, esta não lhe sairá como saem os escravos. Se ela não agradar ao seu senhor, que se comprometeu a desposá-la, ele terá de permitir-lhe o resgate; não poderá vendê-la a um povo estranho, pois será isso deslealdade para com ela. Mas, se a casar com seu filho, tratá-la-á como se tratam as filhas. Se ele der ao filho outra mulher, não diminuirá o mantimento da primeira, nem os seus vestidos, nem os seus direitos conjugais. Se não lhe fizer estas três coisas, ela sairá sem retribuição, nem pagamento em dinheiro.”
Nos textos acima, encontramos duas verdades: Jesus denunciou os corações avarentos dos fariseus e condenou o repúdio. Em Êxodo encontramos que até as esposas escravas possuíam direitos conjugais que resultavam em perdas financeiras, quando repudiadas.
Nos dias atuais, as motivações não são diferentes. No Brasil por exemplo, é comum, homens repudiarem suas esposas e após isso, fazerem acordo com suas Empresas para lhes negar o direito à “pensão alimentícia”. Homens de corações duros e avarentos.
Apesar de haverem vários motivos para alguém REPUDIAR seu cônjuge, a raiz ainda segue sendo a mesma: DUREZA DE CORAÇÃO. E como nós (presbitério) entendemos que um discípulo do Senhor Jesus NÃO POSSUI tal coração, a única exceção para o DIVÓRCIO entre um casal cristão é aquela apresentada pelo Senhor da Igreja: PROSTITUIÇÃO. Qualquer outra razão dada para justificar o divórcio entre crentes, nós não acatamos e consideramos que ainda que haja um documento legalizando o ato, este divórcio será julgado pela Palavra do Senhor (João 12:47).
O ÚNICO MOTIVO CONSIDERADO POR JESUS
DIVÓRCIO ENTRE CASAIS CRENTES (DISCÍPULOS DE JESUS)
“Eu porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério” (Mt 5:32)
“Eu porém vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adultério.” (Mt 19:9).
A única exceção que encontramos nas Escrituras para um casal crente se divorciar, é no caso de PROSTITUIÇÃO (Phornéia) sem arrependimento da parte ofensora.
A DIFERENÇA ENTRE RELAÇÕES SEXUAIS ILÍCITAS E (ADULTÉRIO.
Nos textos dos evangelhos que citamos, aparecem duas palavras diferentes: Relações Sexuais Ilícitas e Adultério. A primeira é tradução da palavra Phornéia e a segunda é a tradução da palavra Moichéia.
RESPONDENDO ALGUMAS PERGUNTAS
Em que momento o homem da lei entregava carta de divórcio a sua esposa?
“Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.” Mateus 5:31
Todo aquele que repudiasse (rejeitasse) a esposa, deveria lavrar um termo de divórcio e libertá-la.
“Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?” Mateus 19:7
Embora os judeus tenham mudado a ordem das coisas, Jesus faz a correção e aclara que o repúdio não é um mandamento e sim uma permissão dada por Moisés por causa do coração duro do homem.
“Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” Versículo 8
Quando observamos a lei podemos ver mais uma vez o cuidado de Deus com a mulher e a ordem como as coisas aconteciam. Repúdio (rejeição) primeiro e carta de divórcio depois. A palavra que se aplica após a carta é DESPEDIR DE CASA o que não pode ser confundido com REPÚDIO, pois os homens, em sua maioria, queriam REPUDIAR, mas não despedir de casa, pois assim manteriam a repudiada como uma escrava e não como esposa.
“Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem; e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer,” Deuteronômio 24:1.3
Também podemos ver no texto acima que a mulher poderia ser divorciada pela segunda vez, o que elimina a hipótese de que o repúdio da lei só acontecia quando um homem descobria que sua esposa não era mais virgem.
A lei também orientava o homem sobre como tratar a mulher que após o casamento fosse constatado de que ela não era virgem quando se casou.
“Se um homem casar com uma mulher, e, depois de coabitar com ela, a aborrecer, e lhe atribuir atos vergonhosos, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Casei com esta mulher e me cheguei a ela, porém não a achei virgem, então, o pai da moça e sua mãe tomarão as provas da virgindade da moça e as levarão aos anciãos da cidade, à porta. O pai da moça dirá aos anciãos: Dei minha filha por mulher a este homem; porém ele a aborreceu; e eis que lhe atribuiu atos vergonhosos, dizendo: Não achei virgem a tua filha; todavia, eis aqui as provas da virgindade de minha filha. E estenderão a roupa dela diante dos anciãos da cidade, os quais tomarão o homem, e o açoitarão, e o condenarão a cem siclos de prata, e o darão ao pai da moça, porquanto divulgou má fama sobre uma virgem de Israel. Ela ficará sendo sua mulher, e ele não poderá mandá-la embora durante a sua vida. Porém, se isto for verdade, que se não achou na moça a virgindade, então, a levarão à porta da casa de seu pai, e os homens de sua cidade a apedrejarão até que morra, pois fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim, eliminarás o mal do meio de ti.” Deuteronômio 22:13.21
Quando alegamos que o motivo para o repúdio na lei, era o fato da mulher não ser mais virgem, corremos o risco de dizer que Deus “arrumou as coisas” para aqueles que não queriam cumprir seus mandamentos.
Por que phornéia e não moichéia?
Existem vários tipos de relações sexuais ilícitas além do adultério. A palavra Phornéia compreende todas estas formas, inclusive a prostituição espiritual.
Só no Novo Testamento ela aparece nos seguintes textos:
Marcos 7:21, João 8:41, Atos 15:20, I Cor. 6:13,18, I Cor 7:2; 2 Cor 12:21; Gál 5:19; Cl, 3:5; Ap 2:21; 14:8; 17:2,4, 18:3.
Para entender o significado da palavra Phornéia é bom ler os textos do NT onde ela aparece.
O Senhor também usou a palavra phornéia, quando deu instruções aos apóstolos, através do Seu Santo Espírito, em ATOS 15:20, quando os apóstolos e presbíteros escreveram uma carta a igreja para acertar problemas causados por judeus que foram resistidos por Paulo e Barnabé em Antioquia.
“Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue.” Atos 15:19.20
O contexto é o seguinte: havia dificuldade no relacionamento entre os cristãos convertidos do judaísmo e dos gentios. O parecer de Tiago aponta para questões meramente judaicas.
1 Contaminação dos ídolos;
2 Comer carne de animais estrangulados ou afogados que podiam conter sangue;
3 Comer o sangue dos animais; e
4 Relações Sexuais ilícitas (Phornéia)
Esta recomendação se baseia em Gênesis 9:4, Levítico 17:10-16 e Levítico 18:1-30. O último (Lev 18) trata de uma imensa lista de relações sexuais que Deus abomina.
De 1 a 18 – incesto – s. m. União sexual ilícita entre parentes (consangüíneos ou afins).
20 – Adultério – s. m. 1. Quebra da fidelidade conjugal. 2. Adulteração, falsificação.
22 – homossexualismo – (cs), adj. m. e f. Referente a atos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. Adj. e s., m. e f. Que, ou pessoa que tem afinidade sexual somente com indivíduos do mesmo sexo.
23 – bestialidade – s. f. 1. Qualidade de bestial. 2. Med. Perversão sexual que impele qualquer dos dois sexos para os animais.
Jesus não usou a palavra moichéia porque o adultério não é a única condição de quebra de aliança, mas a prostituição de uma forma geral.
Por que o adultério do primeiro não libera o segundo para o novo matrimônio?
“Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério. Mateus 19: 3.9 – (RA)
No verso 3 a pergunta dos fariseus era com relação ao motivo do repúdio. (qualquer motivo). A resposta de Jesus, confirmando o que já havia ensinado aos discípulos no monte (Mat 5:32), ocorre no verso 9 – por causa (motivo) – Relação sexual ilícita.
O princípio está claro na doutrina de Jesus (Mt 5:32).
“Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.” Mateus 5: 32 – (RA)
Jesus condenou todos os motivos existentes para o repúdio exceto o caso de phornéia (relações sexuais ilícitas). Ele concentrou o seu ensino na causa do repúdio. A única exceção para a dissolução do casamento (divórcio) é quando a causa (motivo) do repúdio é uma vida de prostituição (relações sexuais ilícitas) sem arrependimento.
Uma vez que o motivo do repúdio não é Phornéia a aliança não foi desfeita, ela continua válida. Alguém que repudia a sua esposa por qualquer motivo, pode vir mais tarde a cometer adultério (moichéia), não sendo, segundo Jesus, liberado da sua aliança por causa do motivo principal do repúdio. Muitos casais se separam na esperança de que o outro cônjuge caia em adultério para ser justificada o seu divórcio e novo casamento. Jesus deixa claro que o único motivo para a quebra da aliança é a prostituição. O adultério conseqüente de um repúdio sem o verdadeiro motivo (phornéia) não anula o casamento, gerando assim, não só a responsabilidade de expor o outro ao adultério, bem como, se após o repúdio, houver casamento de ambos os lados, constitui-se adultério para todos.
Quando houver separação entre cristãos, cujo motivo não é prostituição (phornéia), o mandamento do Senhor é:
“Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher.” 1 Cor 7:10.11 (RA)
Entendemos, entretanto que havendo fruto de arrependimento da parte ofensora, a parte ofendida, uma vez que é discípulo do Senhor Jesus, deve honrar a sua aliança e ser benigno e compassivo (Ef 4:31:32), perdoando seu cônjuge ASSIM COMO Cristo nos perdoou, e procurar viver de forma tranqüila. (I Ts 4:11 / Is 30:1)
“O DISCÍPULO DO SENHOR NÃO POSSUI UM CORAÇÃO DURO, ELE TEM O CORAÇÃO DE JESUS”.
Incompatibilidade de gênios, o amor acabou, a relação esfriou, a situação financeira está difícil, etc. NÃO JUSTIFICA O DIVÓRCIO. Segundo os ENSINAMENTOS DO SENHOR DA IGREJA, a ÚNICA exceção para o divórcio entre seus filhos é a PROSTITUIÇÃO SEM ARREPENDIMETO.
Qual a relação entre o casamento e o sexo ilícito (phornéia)?
Segundo as Escrituras o sexo ilícito (phornéia) afeta diretamente a união conjugal. Vejamos como:
- O casamento é baseado em uma unidade física (uma só carne) entre os cônjuges. A phornéia adultera esta unidade. Quando o homem se une a uma prostituta ele forma com ela uma só carne (1 Cor 6:16);
- O casamento é baseado em um pacto mútuo de fidelidade. A phornéia é um ato de infidelidade conjugal;
- No casamento o corpo de um cônjuge pertence ao outro. A phornéia é um pecado contra o corpo (1 Cor 6:18 – 7:2 );
- O Casamento é sagrado (santo). A phóréia contamina, profana e macula o leito. (Heb 13:4- 1 Cor 7:14 – Lev 18:20); e
- O Casamento é o meio para formar e manter a família. O pecado da phornéia deforma e destrói o lar. (Apoc 2: 20.23).
UMA FIGURA DE JEREMIAS 3:1.8
“Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura, aquele tornará a ela? Não se poluiria com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas, ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR. Levanta os olhos aos altos desnudos e vê; onde não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas à espera deles como o arábio no deserto; assim, poluíste a terra com as tuas devassidões e com a tua malícia. Pelo que foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de prostituta e não queres ter vergonha. Não é fato que agora mesmo tu me invocas, dizendo: Pai meu, tu és o amigo da minha mocidade? Conservarás para sempre a tua ira? Ou a reterás até ao fim? Sim, assim me falas, mas cometes maldade a mais não poder. Disse mais o SENHOR nos dias do rei Josias: Viste o que fez a pérfida Israel? Foi a todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa e se deu ali a toda prostituição. E, depois de ela ter feito tudo isso, eu pensei que ela voltaria para mim, mas não voltou. A sua pérfida irmã Judá viu isto. Quando, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério, eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio, vi que a falsa Judá, sua irmã, não temeu; mas ela mesma se foi e se deu à prostituição.
Uma pergunta para refletir: “Deus usaria uma figura mentirosa e falsa a seu respeito?”
O mesmo nós vemos em Ezequiel 16 quando Deus usa a figura de um homem e uma mulher para falar do Seu relacionamento com Jerusalém. Ali Ele diz que vestiu aquela mulher, perfumou-a e adornou-a como um rei faz a sua princesa. Fizemos esta pergunta por alguns anos quando iniciamos a nossa saída da tradição religiosa: Deus usaria esta figura com a mulher se Ele abominasse boas roupas, perfumes e jóias? Naquela ocasião muitos ensinavam que Deus era contra as boas roupas, perfumes e jóias, enquanto no texto de Ezequiel, Deus usava a figura de um homem que demonstrava o seu amor para com a sua amada, através de presentes, tais como: boas roupas, perfumes e jóias. Seria possível Deus detestar estas coisas e usá-las para falar com seu relacionamento com Jerusalém?
Outro texto que também pode cooperar é Isaias 50:1
“Assim diz o SENHOR: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor, a quem eu vos tenha vendido? Eis que por causa das vossas iniqüidades é que fostes vendidos, e por causa das vossas transgressões vossa mãe foi repudiada.”
Ainda que os texto acima fala de uma prostituição espiritual, ele pode ilustrar como a Prostituição (phornéia) afeta um casamento até ao ponto de destruí-lo.
Uma pessoa cristã, que se converteu após estar casada e seu cônjuge permanece na incredulidade, além da exceção dada por Jesus, pode se divorciar por outro motivo?
Paulo Ensinando
Uma outra condição que vemos nas Escrituras é ensinada por Paulo aos Coríntios. Ela ocorre quando um crente é REPUDIADO por um descrente. A iniciativa é sempre do incrédulo e não deve haver motivos dados pelo cristão.
Paulo, o apóstolo aos gentios, experimentou algo inusitado: ele precisou administrar matrimônios entre cristãos e incrédulos. Não eram pessoas crentes que haviam se casado conscientemente com incrédulos, se colocando em jugo desigual, mas eram pessoas que haviam se convertido após o casamento e seus cônjuges (com o mesmo jugo) permaneciam na incredulidade.
Após Paulo ter explicado aos irmãos da igreja em Corinto a vontade de Deus para os cristãos acerca da separação, ele voltou-se para estes casais com cônjuges incrédulos e manifestou em primeiro lugar o que já mostramos antes no tópico SEPARAÇÃO e abriu, segundo o nosso entendimento, uma nova exceção para aqueles que eram abandonados por causa da sua fé em Jesus.
“Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz.” 1 Cor 7:15
Dicionário grego – NÃO
ou ou também (diante de vogal) ouk ouk e (diante de uma aspirada) ouc ouch
palavra primária, negativo absoluto [cfadvérbio; ; partícula
1) não; se usa em perguntas diretas que esperam uma resposta afirmativa
doulow douloo – FICA SUJEITO A SERVIDÃO
1) fazer um escravo de, reduzir \a escravidão
2) metáf. entregar-me totalmente \as necessidades e ao serviço de alguém, torna-me um servo para ele
Este termo: “não fica sujeito a servidão” era um termo jurídico utilizado na época em várias situações, inclusive na questão relacionada à libertação de escravos. Entendemos que LIVRE É LIVRE, se alguém é Livre e não pode se casar, então esta pessoa não É Livre. Por exemplo:
“A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver, contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com que quiser, mas somente no Senhor” 1 Cor. 7:39.
Dicionário Grego – LIVRE
eleuyerov eleutheros
1) nascido livre
1a) num sentido civil, alguém que não é escravo
1b) de alguém que deixa de ser escravo, liberto, alforriado
2) livre, isento, liberto, desimpedido, não atado por uma obrigação
3) num sentido ético: livre do jugo da lei mosaica
Sabemos que alguns podem alegar que NESTE CASO existe uma recomendação apostólica: CASAR SOMENTE NO SENHOR. Por que Paulo não disse a mesma coisa no 1º caso?
Nós entendemos que neste caso das filhas que se casaram com homens escolhidos por seus pais, se fez necessária esta observação: “mas somente no Senhor (vs 39)”.
Vamos avaliar a condição delas: Possivelmente desejavam se casar de novo alegando que se casaram por escolhas dos seus pais e não por suas próprias escolhas ou por amor. Paulo deixa claro que elas estão casadas apesar disso. Que elas não são livres diante do Senhor para contraírem novas núpcias. Que só estarão livres para se casarem de novo se seus atuais esposos vierem a falecer. Possivelmente a maioria era jovem e com motivos diversos. O cuidado apostólico procede porque o motivo aqui não era a incredulidade do seu cônjuge, mas a principal razão era o fato de terem se casado pelas escolhas dos pais.
Por que Paulo não comunicou este mesmo cuidado aos irmãos do caso anterior (crentes casados com não crentes – capítulo 7:15)?
Entendemos que tal observação não se fez necessária, uma vez que os motivos para o Novo Casamento eram diferentes.
No primeiro caso os cristãos casados queriam separação devido ao fato de seus cônjuges serem incrédulos, não sendo assim necessário Paulo acrescentar: LIVRES PARA SE CASAR, MAS SOMENTE NO SENHOR. Pois este era o principal argumento para a separação, ou seja, a incredulidade do seu cônjuge.
Vamos voltar para o segundo caso: Possivelmente algumas mulheres reivindicavam o direito de se casarem com as pessoas com quem tinham sentimentos e não por determinação paternal, fazendo-se necessário assim, Paulo dizer que se falecesse o marido FICARIAM LIVRES PARA CASAR COM QUEM QUISESSEM, MAS SOMENTE NO SENHOR. (I Cor 7: 39)
EMBORA SEJA ESTE O NOSSO ENTENDIMENTO ATUAL, NÃO JULGAMOS QUE TEMOS DOMÍNIO TOTAL SOBRE ESTE ASSUNTO. E POR SE TRATAR DE ALGO QUE NOS FAZ TEMER E TREMER DIANTE DE DEUS, JULGAMOS SER NECESSÁRIA A OBSERVAÇÃO DOS PONTOS ABAIXO:
1) Todo o caso QUE ENVOLVE DIFICULDADES MATRIMONIAIS deve ser levado aos que presidem a Igreja – GOVERNO DA IGREJA LOCAL.
2) Em Todo o caso de conversão, havendo 2° casamento, que seja avaliada a questão pelos que presidem a igreja – GOVERNO DA IGREJA LOCAL.
3) Se a pessoa vem separada, que não se precipite em arrumar outro matrimônio, também deve ser submetido o seu caso aos que presidem a igreja – GOVERNO DA IGREJA LOCAL.
4) Havendo pecado de Phornéia (Relações sexuais ilícitas), deve ser informado imediatamente aos que presidem a igreja – GOVERNO DA IGREJA LOCAL.
“Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam;” 1 Ts 5:12
“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.” 1 Timóteo 5:17
“DEUS AMA A FAMÍLIA E QUER PRESERVÁ-LA E PROTEGÊ-LA”
Presbitério da Igreja na cidade do Rio de Janeiro
AMD – Aliança Missionária de Discípulos
www.amd7.org – amd@amd7.org – (021) – 2404.2034









