Apostilas Destaque Discipulado — 29 novembro 2011
Confrontação em Amor

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Embora as escrituras falem por várias vezes das mutualidades, não é raro encontrarmos no meio da igreja, atitudes que demostram total descomprometimento com o corpo de Cristo, ignorando que as relações que temos uns com os outros servem de crescimento e edificação, pois a bíblia diz: “… segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor” (Efésios 4:16).
Em I Coríntios 12: 12-31, Paulo, o apóstolo, compara a igreja a um corpo, que embora tenha muitos membros, formam um só corpo. No verso 25 há a seguinte declaração: “… para que não haja divisão, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros”. Deus tem zelo conosco, e Ele espera que tenhamos a mesma atitude uns com os outros. Isto é mutualidade.
A comparação da igreja a um corpo humano nos fala de muitas coisas, mas talvez a sua maior expressão se revela na necessidade que temos de cuidar uns dos outros, pois assim como num corpo existe muitos órgãos e membros, mas nenhum deles vivem em função de si e sim do próprio corpo, também os irmãos deve cuidar não somente daquilo que é seu, mas também daquilo que é dos outros (Filipenses 2:4). Quando temos consciência da importância dos irmãos em nossas vidas, nos preocupamos também com suas vidas.
Não basta somente não causarmos nenhum dano a alguém, o egoísmo se manifesta quando não nos importamos com os outros. Se amamos a Jesus, cuidamos das suas ovelhas. E este cuidado também se revela quando guardamos a vida dos irmãos, falando a verdade uns com os outros.
Em Gênesis 4: 9 Caím, quando interrogado por Deus, a respeito do paradeiro de seu irmão Abel, disse as seguintes palavras: “… sou eu guardador do meu irmão?…”. Esta declaração revelou um coração egoísta e descomprometido com Deus, pois, a ordem de Deus ao homem era para que ele guardasse o jardim e o homem fazia parte dele.
Não é diferente hoje em dia, pois, temos percebido o mesmo sentimento de Caím nos corações daqueles que se dizem servos de Deus, achando que a vida dos outros não diz respeito a ele.
Há também aqueles que, pela visão equivocada a respeito da igreja, tem zelo, não pelas vidas e sim pelo prédio. Ignoram que a igreja (o corpo místico de Jesus), é feita de pessoas e não de tijolos de barro e paredes de cimento. A igreja de Jesus é edificada de pedras vivas (“… também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo), lapidadas dia a dia pelo Senhor, através dos próprios membros – as mutualidades ()…”.” segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor… – Efésios 4:16 ).
A finalidade deste estudo é despertar a igreja à respeito do compromisso que temos com a verdade. Como discípulos de Jesus somos exortados a não andarmos como meninos inconstante, mas, crescermos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo. De que forma? Seguindo a verdade em amor.
Nada pode nos deter. Nenhum relacionamento deve ser maior do que o nosso com o Senhor. Nenhuma desculpa pode justificar-nos. O nosso amor por Jesus e pela sua palavra ( a verdade ), precisa ser maior do que o respeito humano, que muitas vezes nos impede de dizermos a verdade uns aos outros.

Por que falar a verdade uns com os outros?

1º – A verdade preserva a unidade na igreja.

A partir do capítulo 4 da carta aos Efésios, Paulo, faz um apelo àquela igreja para que “andassem dignamente segundo a vocação com que foram chamados”. Andassem “procurando guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. A paz protege a unidade do Espírito. Que paz é esta ? Em Provérbios 12: 17 está escrito que : “Quem fala a verdade manifesta a justiça…”. Em Isaías 32: 17 diz: “O efeito da justiça será a paz …”. A paz que guarda a unidade do Espírito é a conseqüência da justiça que se manifesta pela verdade. Aonde está a verdade ? No versículo 25 do mesmo capítulo 4 de Efésios, esta a seguinte declaração: “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um ao seu próximo…”. A verdade que produz a paz está em nós, e precisa ser manifesta no abrir dos nossos lábios. Temos o compromisso com Deus e os irmãos de falarmos a verdade uns aos outros, pois somente assim a unidade é preservada no meio da igreja.
No capítulo 8 do livro de Zacarias, Deus, através do profeta, começa declarando Seu “grande zelo por Sião”. No versículo 3 o Senhor disse que “habitaria no meio de Jerusalém”, e ela se chamaria “cidade de verdade” ( Bíblia Thompson ). No verso 16 ordena: “Eis as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo, executai juízo nas vossas portas, segundo a verdade, em favor da paz”; nenhum de vós pense mal no seu coração contra seu próximo, nem ame o juramento falso, porque a todas estas coisas eu aborreço, diz o SENHOR”. Segue dizendo no final do versículo 19 : “… amai, pois, a verdade e a paz”. Finaliza no verso 23 dizendo: “…Naquele dia …pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” ( Revista e Atualizada no Brasil ).
Quando falamos a verdade uns com os outros, preservamos a unidade do Espírito no vínculo da paz.

2º – A verdade torna as pessoas livres.

Em Efésios 5: 6, o apóstolo diz o seguinte: “Ninguém vos engane com palavras vãs …”. Uma palavra “vã” ( termo usado figuradamente para significar “sem verdade”, “sem conteúdo”), é uma palavra vazia, sem efeito. Este tipo de palavra não tem nenhum efeito na vida daquele que a ouve. Não produz nada, porque ela não vem de Deus, e sim de um coração bajulador, que na verdade o seu maior interesse é consigo mesmo, no medo de perder a amizade ou algum favor de alguém ( I Tessalonicenses 2: 5 ).
“Ninguém vos engane”, dizia Paulo. Ele sabia que nada poderia libertar o homem do pecado, a não ser a verdade. Por mais que ela doe, precisa ser dita. Por mais que possamos sofrer ao falarmos a verdade, não temos o direito de iludir ninguém com palavras vãs. Não há nada pior do que viver enganado, porque viver enganado, é viver cativo. A ignorância ( desconhecimento ) destrói, adoece e mata. A verdade torna as pessoas livres, “…conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” , João 8:32.
O mesmo apóstolo em II Coríntios 2: 17, falando de como se portava entre os irmãos, disse: “ Nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade… ” , e também no capítulo 4: 1, 2 diz: “Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos. Pelo contrário, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam; não andamos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Antes, recomendamo-nos à consciência de todos os homens, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” ( Bíblia Thompson).
Não temos o direito de ocultar a verdade uns aos outros e tão pouco falsificar a palavra de Deus, porque por ela os homens são libertos.

3º – Como servo de Cristo devo falar a verdade.

É fundamental entendermos que a declaração de Efésios 4: 25, não é um apelo e nem um conselho: “…fale cada um a verdade com seu próximo…”, é um mandamento apostólico. Não é opção, é compromisso.
Em Efésios 4: 17-24, Paulo exorta a igreja a ter um procedimento diferente dos gentios, que “andavam na vaidade dos seus próprios pensamentos”. No versículo 22, o apóstolo dos gentios, ensina aos irmãos sobre o arrependimento das obras mortas, quando diz: “… quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem…”. Despojar-se é despir-se, tirar a velha vestimenta, é “não mais andar como os gentios”. É o mesmo que: “deixar a mentira” (versículo 25), “não dar lugar ao diabo” (versículo 27), “não furtar mais” (versículo 28). Agora, esse não é todo o ensino neste capítulo. Uma vez que o homem se despe do velho homem, ele fica nu. Paulo, continua dizendo no versículo 24, sobre o revestir-se do novo homem. Revestir-se é tornar a se vestir. Mas, não de qualquer maneira. “Do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”, dizia Paulo. O evangelho completo, não envolve somente em deixar a injustiça, mas em praticar a justiça. De que forma? “Falando a verdade cada um com o seu próximo” . Agindo desta forma, estamos nos revestindo de Jesus, o novo homem (versículo 24) .
Em I Tessalonicenses 2:1-6, Paulo, referindo-se a sua pregação, disse que: “…embora sendo maltratado…”, “…anunciou o evangelho com confiança…” e “…jamais usou palavras de bajulação…”, “…com intuitos gananciosos…”. Por que? “Não falava para agradar a homens”, “…não buscava a glória de homens…”, mas falava sim, para “agradar a Deus”.
Em Gálatas 1: 10, Paulo, fala do seu compromisso com Cristo, dizendo o seguinte: “… procuro o favor dos homens ou de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de cristo”.
Falar a verdade uns aos outros é um serviço a Deus no corpo de Cristo ( a igreja ).

4º – Quem não anda em verdade, anda em malícia e maldade.

O relato de I Coríntios 5: 1-13, nos mostra que a dificuldade da igreja em andar na verdade é tão antigo quanto sua existência. Um homem havia se deitado ( teve relação sexual ) com a mulher de seu próprio pai, cometendo um incesto. Paulo, ouvindo o comentário a respeito deste pecado, ficou perplexo com a atitude da igreja em relação a tal homem, pois, não “chegaram nem mesmo lamentar, para que aquele homem fosse tirado do meio da igreja”. Esperava-se uma atitude por parte da igreja, pois, a responsabilidade em tratar com o irmão em pecado cabia a eles.
No início do capítulo 5, Paulo diz como tomou ciência do fato: “Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade…” . A notícia havia vazado, todos sabiam, embora ninguém tinha tratado o caso. Uma igreja carismática, cheia de dons e manifestações do Senhor, porém, imatura ( “…para que não mais sejamos meninos…; Mas seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo…” Efésios 4: 14, 15 ). Não devemos falar do irmão ( comentários ), devemos sim, falar com o irmão. Fazer comentários a respeito de alguém não é correto, isto é fofoca. Há uma desculpa “evangélica”, que normalmente se usa quando se faz algum comentário de alguém, que na verdade é usada como uma grande justificativa: “Estou te contando isso para você orar, mas, não conta para ninguém”. Na verdade, quase ninguém ora, porém, no final todos já sabem do problema, e as vezes a própria pessoa, que é o objeto do comentário, não sabe. A notícia havia se espalhado, porém, nada tinha sido feito. Quando não andamos na verdade com os irmãos, geralmente andamos em malícia. Quando não temos coragem de dizer a verdade ao irmão, geralmente usamos de alguns subterfúgios para que ele entenda. Não somos claros e nem diretos no falar, mas, maliciosamente agimos, com piadinhas ou indiretas, para que o irmão perceba, sem que com isso sejamos comprometidos. Isto é malícia. É viver como os ímpios vivem , na vaidade de seus próprios pensamentos. Deus espera que sejamos verdadeiros, que deixemos de ser meninos e que “cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo”. O homem maduro é aquele que vive guiado por Cristo, e não pelos seus “próprios pensamentos”.
Lançe fora todo o fermento, e viva como um discípulo de Jesus, Falando a verdade uns aos outros.

5º – Quem diz a verdade discerne o corpo de Cristo.

Um dos ensinos que o Senhor nos deixou foi a ceia. Assim como todo ensino de Jesus, este também requer entendimento e fé para ser praticado. Muitos, são os irmãos que não compreendem o verdadeiro significado do repartir o pão ( ceia ). Jesus não ensinou uma liturgia, em toda sua vida procurou estabelecer princípios e revelar verdades espirituais.
Paulo, em I Coríntios 5, após ter repreendido a igreja a respeito do irmão imoral, no verso 8 declara o seguinte: “ Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia e sim com os asmos da sinceridade e da verdade”. Celebrar a festa neste texto, se refere a ceia que Jesus havia ensinado. “Celebremos a festa com os asmos da sinceridade e verdade”, dizia o apóstolo. Bem, o pão asmo da ceia é de farinha de trigo, azeite e água. Por que Paulo disse então, “pão de sinceridade e verdade”? Porque o pão de farinha trigo, azeite e água é uma figura do corpo de Cristo. O verdadeiro pão é aquele que desceu do céu, cuja a vida não havia trevas, mas a sinceridade e verdade que procede da luz. E além disto, o verdadeiro significado da ceia é a comunhão baseada na sinceridade e verdade. É a relação que travamos diariamente ( o andar na luz ) com o Senhor e a igreja. Lembre-se de Judas Iscariotes, que jamais teve uma relação com Jesus e os discípulos em sinceridade e verdade, e na ceia, o próprio Senhor disse que ele seria o traidor. Não tinha parte com Jesus, o homem que recebeu o pão molhado em vinho ( João 13: 21-27 ).
Algumas igrejas, após comerem a ceia, enterram o resto do pão e do vinho, por acharem que esses elementos se tornam literalmente o corpo do Senhor após a oração. Não é isso o que Jesus ensinou, Ele queria que entendêssemos que a ceia fala de comunhão. Comunhão é ter algo em comum, é ter parte com alguém, é participar da mesma coisa. Note o que está escrito em I Coríntios 10: 16, “O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?”. O pão da ceia é a comunhão do corpo de Cristo. Comunhão baseada na sinceridade e verdade. Em I João 1: 5-7, diz que “em Deus não há trevas nenhuma ( malícia e maldade ), se andarmos na luz ( sinceridade e verdade ) como Ele na luz está, mantemos comunhão uns com os outros …”. Não há comunhão sem sinceridade e verdade. Não é a ceia do Senhor que comemos quando não andamos em sinceridade e verdade. Quando repartimos o pão, reafirmamos o nosso compromisso de andarmos em sinceridade e verdade uns com os outros.
Há muitas coisas no reino de Deus que podem ser feitas por uma pessoa apenas, como orar, jejuar, ofertar, louvar e etc, mas sobre a ceia, Jesus e Paulo jamais ensinou que ela pudesse ser feita individualmente. Toda as vezes que as escrituras falam de ceia, sempre se refere a um grupo de discípulos. Jesus ceiou com os doze. Paulo disse que quando a igreja em Coríntios se reunia, não era a ceia do Senhor que comiam ( I Coríntios 11: 20 ). Quando a Pascoa foi instituída pelo Senhor no Egito, Ele disse que o cordeiro deveria ser comido em família. A ceia fala de uma festa, de uma celebração que só é feita pelos discípulos.
Há um outro problema que envolve este assunto. Quando comemos o pão e bebemos o cálice do Senhor sem discernir o corpo, comemos e bebemos juízo para nós ( I Coríntios 11: 27- 29 ). O que Paulo estava querendo dizer com isso? Precisamos entender o contexto deste ensino. Paulo no verso 17, num desabafo, declarou que não louvava aquela igreja em seus ajuntamentos, pois no verso 18 dizia que havia divisões entre eles, quando se reuniam. A igreja em Coríntios não sabia viver em comunhão. Quando se ajuntavam não era para melhor e sim para pior. Quando se reuniam para comer a ceia, ninguém esperava uns pelos outros, comiam antecipadamente, a sua própria ceia ( comiam só, sem repartir com ninguém ). Uns passavam fome, porque não comiam nada, outros se embriagavam pois bebiam todo o vinho sozinhos. Paulo chegou a falar sobre duas possibilidades: se tinham casas onde comerem e beberem ou se menosprezavam a igreja de Deus, envergonhando os que nada tinham. A Segunda possibilidade era a correta. Menosprezavam a igreja de Deus. Por que? Porque não discerniam o corpo de Cristo. A palavra discernir no grego é “diakrino”, sua tradução é “julgar corretamente” que significa “compreender ou entender”. Discernir o corpo é entender e compreender o seu valor , é compreender a importância do corpo ( igreja ) em minha vida e entender a importância da minha vida no corpo. Não esperavam e nem repartiam uns com os outros, porque eram egoístas não reconhecendo o valor dos outros irmãos no corpo, daí menosprezavam . Paulo dizia que o fato de alguns não discernir o corpo estavam doentes e chegavam até mesmo a morrer.
No capítulo 5 de I Coríntios, Paulo admoestou a igreja dizendo: “… não chegastes a lamentar para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou”. A indignação de Paulo era que aquela igreja sabia que “um pouco de fermento levedava toda a massa”. Por que não se preocupavam? Porque não discerniam o corpo de Cristo. Preferiam andar em malícia e maldade do que confrontar aquele irmão em pecado. Aqueles que discernem o corpo de Cristo, falam a verdade uns com os outros, pois sabem que o pecado não tratado gera sérios prejuízos a igreja. Não podemos repartir o pão de sinceridade e verdade, se não andarmos na luz com os nossos irmãos.
Em Efésios 4:25, está a seguinte declaração: “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros”. A importância de se falar a verdade uns aos outros, se baseia também na necessidade que temos uns dos outros. Num corpo todos os membros cooperam para o seu benefício mútuo. Nenhum membro pode prejudicar a outro sem prejudicar a si mesmo. Quando guardamos a vida dos irmãos, estamos prezando pela saúde do corpo de Cristo.

6º – Quem ama fala a verdade.

De todos os pontos que abordamos neste capítulo, não há maior declaração do que esta: “quem ama fala a verdade” ou “quem ama anda em sinceridade e verdade”. Embora a maior parte de nós não entende estas palavras, tais declarações são totalmente verdadeiras, pois, o próprio Jesus não só ensinou, mas, viveu intensamente este amor.
Em Marcos 10:17-22, está escrito sobre o encontro de Jesus com um jovem muito rico. Este homem, ao aproximar-se do Senhor, manifestou desejo de seguí-lo. No verso 21, Jesus impõe uma condição que não só entristeceu aquele homem , mas, que levou-o a desistir de seu desejo. O mesmo versículo diz que: “…Jesus, fitando-o, o amou e disse…”. A condição imposta por Jesus foi movida por amor, mesmo sabendo da possibilidade de perder aquele homem (Marcos 10:23). O amor que nos leva a falar a verdade, é aquele nos faz pensar mais na pessoa, do que em nós. É o amor que prefere perder, do que manter alguém perto, numa base de mentira. “Jesus o amou” ao ponto de querer vê-lo livre daquilo que o prendia. Sabia que a única forma do jovem ser livre, era conhecendo a verdade, que ( o jovem ) não conhecia. Preferiu entristece-lo, do que alegrá-lo com a inverdade.
Com este mesmo amor, Jesus nos manda “amar uns aos outros”, como ele nos amou ( Jo 13:34; 15:12; 15:17), “não segundo Caím ( I Jo 3:11,12 ), que disse “não ser guardador de seu irmão” ( Gen. 4:9 ).
Alguns querendo justificar-se por não falar a verdade, dizem que não querem entristecer ou magoar. Não é o amor que move tais corações. Não o amor de Jesus, mas o amor por si mesmo. É aquele que não quer perder, nem se indispor com ninguém. Que prefere ver alguém se perder, do que arriscar a amizade em jogo. Não é capaz de dizer a verdade, porque não ama como Jesus amou.
O coração que ama como Jesus, jamais omite a verdade.

Como falar a verdade uns com os outros?

1º – Confrontar com a Palavra de Deus.

A verdadeira justiça não consiste somente em deixar a mentira, mas também, em falar a verdade uns com os outros. Uma vez convencidos disto, precisamos saber como confrontar os irmãos em amor, pois, alguns não tem tido êxito no confronto, por não observarem os ensinos de Jesus de como falar a verdade.
A palavra “confrontar” significa colocar frente a frente. O erro que geralmente se comete, é tratarmos o caso como algo pessoal, perdendo o controle da situação, e entrando em discussão com o irmão. Confrontar os irmãos é colocá-los frente a frente com a palavra de Deus. Não é confrontar com a nossa verdade, com o que achamos ou com o que entendemos e etc.
Em João 12:47-48 está escrito a seguinte declaração de Jesus: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar , eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia”. A nossa responsabilidade é em mostrar o erro pela palavra e apontar o caminho do arrependimento. Quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo é o Espírito Santo, através da verdade ( as palavras de Jesus ).
Confrontar um irmão em pecado é colocá-lo de frente com a palavra de Deus.

2º – Confrontar arguindo e não acusando.

Algumas queixas que geralmente ouvimos a respeito do confronto, é a forma de como os irmãos falam a verdade uns aos outros. A comunicação da verdade precisa ser de maneira correta, do contrário ao invés de ganharmos o irmão, acabamos por perdê-lo . Em Gálatas 6:1, Paulo diz o seguinte: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura ( mansidão – Thompson ); e guarda-te para que não sejas também tentado” ( tradução revista e atualizada ). Precisamos ser guiados pelo Espírito Santo ao confrontar os irmãos, para que não sejamos insensíveis e arrogante no falar, pois “a ira do homem, não produz a justiça de Deus”, Tiago 1:20. Também em II Timóteo 2: 25 está escrito: “disciplinado com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade…”.
Em Mateus 18:15 está escrito que: “Se teu irmão pecar, vai argüi-lo…” ( Revista e Atualizada ). Argüir é interrogar para obter respostas. Geralmente irado, não arguimos e sim acusamos, ignorando que o Senhor não só nos mandou, como também nos ensinou como devemos fazer. O próprio Deus, nos dá exemplo de como devemos confrontar o pecador. Em Gênesis 3, está escrito a respeito da queda do homem. Os versículo de 9 à 13 registram a conversa que Deus teve com eles após a queda. O impressionante é que, embora Deus seja onisciente ( certamente já sabia do pecado ), Ele inicia a conversa perguntando o que estava havendo. Nos versos 9 e 11, aparece a expressão “perguntou-lhe Deus”. “Onde estás? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Que é isto que fizeste?”. Foram as arguições de Deus. Da mesma forma, em Gênesis 4:9 e 10 , Deus procede com Caím, após ter matado seu irmão Abel. “Onde está Abel, teu irmão?”, pergunta o Senhor. Deus jamais acusou alguém sem antes dar-lhe oportunidade para que se arrependa.
No Salmo 50: 21 Deus diz o seguinte: “…mas eu te argüirei e porei tudo à tua vista”. Por que Deus embora sabendo de tudo, não acusa, mas interroga o pecador? Para que o pecador tenha a oportunidade de se arrepender, trazendo seu pecado a luz e invocando a misericórdia de Deus. Quando argüimos, da mesma forma, damos a oportunidade para que se arrependam, confessando seus pecados.
Em II Reis 5, é registrado a cura de um homem chamado Naamã, comandante do exército do rei da Síria. Este homem fora curado pelo profeta Eliseu, de uma terrível lepra. Movido por gratidão, Naamã quis presentear o profeta, porém ele não aceitou. Geazi, moço de Eliseu, foi atras de Naamã para receber a recompensa contra a vontade do homem de Deus. No verso 25, após ter recebido o prêmio, Geazi se apresenta a Eliseu, que lhe pergunta aonde havia ido. No versículo 26, Eliseu diz que já sabia que Geazi havia recebido a recompensa de Naamã. Por que Eliseu perguntou, se já sabia o que precisava? Para dar a Geazi a oportunidade de arrepender-se.
Há um outro exemplo a respeito deste assunto, no novo testamento. No livro de Atos, capítulo 5, verso de 1 a 11, é registrado a morte de Ananias e Safira, sua esposa. Ananias foi morto, porque ao vender uma propriedade, mentiu ao Espírito Santo sobre o valor da venda. Após 3 horas da morte de Ananias, Safira foi ao encontro do marido e dos apóstolos. Não sabendo o que havia acontecido, Safira foi interrogada por Pedro sobre o valor da venda, que prontamente mentiu e conseqüêntimente também morreu. Por que Pedro a interrogou sobre o valor da venda se já sabia? Para dar a Safira a oportunidade de se arrepender.
Quando argüimos ao invés de acusarmos, damos oportunidade para que o pecador se arrependa e guardamos as nossas vidas de qualquer julgamento precipitado, pois nem sempre estamos totalmente certos.

3º – Perseguindo a verdade até o fim.

Em Hebreus 10:25, está escrito que: “Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quando vedes que o Dia se aproxima”. Esta palavra revela que a dificuldade em repreender os irmãos é tão antiga quanto a sua existência. Alguns estavam deixando de se congregar, por que? Não queriam admoestar os irmãos ( admoestar é repreender ). Preferiam deixar de congregar do que falar a verdade uns aos outros. Eram fracos de coração, não perseguiam a verdade e não amavam a Jesus mais do que a própria vida. Tinha não só medo de admoestar, como também, não queriam ser repreendidos. Viviam um evangelho social, totalmente descompromissados com verdade. Não é diferente hoje em dia, quando muitos não só deixam de congregar-se, como também, ficam indo de grupos em grupos, vivendo um relacionamento superficial. Não podemos fugir da responsabilidade que o Senhor nos deu, devemos falar a verdade uns aos outros, pois somos membros uns dos outros.
Um outro problema que identificamos em relação ao confronto, é que geralmente o assunto não é levado adiante, quando o ofensor não se arrepende. Não podemos desistir, porque não fomos bem sucedidos na primeira vez, ou porque tivemos problemas de relacionamento com alguém no passado. Nem todos aqueles que são confrontados se arrependem, na verdade alguns até mesmo vão embora, com mágoa em seus corações. Não podemos agradar a todos, se por causa da verdade perdemos a amizade de alguém, é porque esse alguém não ama a verdade, e quem não ama a verdade não tem parte com Deus. Quando entendemos o nosso compromisso com o Senhor e a verdade, e os prejuízos que o pecador não tratado pode trazer ao corpo, perseguimos a verdade até o fim.
Em Mateus 18: 15-20, Jesus, ensinou o que fazer quando alguém era surpreendido em algum erro e como perseguir a verdade até o fim. No versículo 15, o Senhor disse que: “se teu irmão pecar, vai argüi-lo entre ti e ele só”. Numa primeira investida devemos ir sozinhos, pois, a intenção de Deus não é expor ninguém a vergonha. Se o pecador persistir no erro, a próxima atitude é levar testemunhas, “para que, pelo depoimento de duas ou três pessoas, toda a palavra se estabeleça”. Não havendo arrependimento, o caso deve ser levado ao conhecimento da igreja, para que a igreja possa se pronunciar em relação ao irmão faltoso.
Não podemos desistir no meio do confronto. A Escrituras Sagradas e a experiência nos têm mostrado que podemos ganhar o irmão, mesmo que seja quando o tal é levado perante a igreja. Precisamos entender que quando alguém está em pecado, está perdido e precisa ser ganho. Quando desistimos do confronto, ainda que tenhamos andado alguns passos, estamos desistindo do irmão em pecado e da verdade.
Jesus jamais deixou de falar a verdade, nunca mentiu, nunca omitiu, preferiu perder do que manter alguém perto com o engano. Como discípulos de Jesus precisamos “seguir a verdade em amor”.

A verdadeira motivação.

Aqui talvez resida o nosso maior problema em relação a este assunto. Não basta entendermos o nosso compromisso em falar a verdade e nem tão pouco como confrontar os irmãos. Se a nossa motivação não for correta, não agradaremos a Deus e certamente não teremos êxito no confronto com a palavra.
As escrituras dizem que Deus sonda o coração do homem ( Provérbios 16:2; 21:2; 24:12 ), Ele não se satisfaz apenas com o procedimento, mas também, pesa os motivos do coração. Em Hebreus 4: 12,13 está escrito que: “a palavra de Deus… é apta para discernir ( conhecer , revelar ) os pensamentos e propósitos do coração” (motivos), e que “… todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”. Os olhos de Deus vêem o motivo do coração, mesmo quando o procedimento aparentemente está correto. Por que? Porque até mesmo com um beijo no rosto, que é uma expressão de carinho, podemos estar traindo o nosso mestre, Jesus.
O profeta Isaías declarou como um desabafo de Deus, e posteriormente o próprio Jesus falou que: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” ( Isaías 29:13; Marcos 7:6 ). O Senhor não se engana com elogios vazios, nem com palavras sem substância, Ele não olha para o exterior, mas, contempla o interior. Sabe quando alguém está perto com o coração longe. Ele vê o profundo e o escondido ( Daniel 2:22 ), conhece os pensamentos do homem ( I Crônicas 28:9; Salmos 139 ), mesmo quando o homem não os conhece. Sim, Ele sabe que “do coração procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23), e que aquilo que fazemos por meio do corpo, nem sempre manifesta as verdadeiras intenções do coração.
Em Efésios 4: 15 está a seguinte declaração: “Mas, seguindo a verdade em amor…”. Não de qualquer maneira, mas “em amor”, disse Paulo. O motivo em se falar a verdade uns aos outros, precisa ser o amor. O apóstolo dos gentios sabia que o caminho a ser percorrido era em amor, por isso dizia, “…passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente”, o amor. Que amor é este? Que qualidades possui? Será que é falar baixinho, delicadamente? O amor é muito mais do que isto. O que é então? O capítulo 13 de I Coríntios, versos de 4 à 7 nos responde que: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus próprios interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Se há alguma declaração que define o amor nestes versículos é a seguinte: “O amor não busca os seus próprios interesses”. Aqui encontramos o verdadeiro motivo em se confrontar os irmãos. Jamais teremos êxito no “falar a verdade uns aos outros”, se não formos revelados a respeito deste princípio. O amor que não busca o seu próprio interesse é aquele que persegue a verdade, que não desiste do pecador e que está disposto a sofrer por ser mal compreendido. Quando é julgado por sua atitude, não retrocede. Quando percebe que está ao ponto de perder uma amizade, fala a verdade ainda que isto lhe custe uma inimizade. Quando lhe dizem que é melhor se calar, pois assim não arrumaria um problema, não hesita em falar. Vai argüir o pecador sozinho, não temendo o que lhe pode acontecer. Leva uma ou duas testemunhas se o tal não se arrepende. Segue conduzindo caso à congregação, considera-o publicano e gentio, caso não ouça a igreja, sem pensar em si mesmo, mas num jeito de ganhar o irmão. Mesmo depois de excluí-lo, continua orando e aguardando “na expectativa de que Deus lhe conceda não só o arrependimento para conhecer plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, sendo livre do laço do diabo”, e retorne a casa do Pai.
Um dos grandes problemas que temos observado no confronto está relacionado ao entendimento errado de Mateus 18. Geralmente se aplica este ensino como um caminho a ser seguido para se excluir alguém do corpo. Quantos passos devemos andar antes de cortarmos o irmão do relacionamento? É o que normalmente perguntam ou ensinam. Tal pergunta revela a falta de entendimento do verdadeiro objetivo em se confrontar alguém. Em Mateus 18, Jesus ensina como repreender o irmão pego em algum erro. Qual era o objetivo? “Ganhar a teu irmão”, disse o Senhor (verso 15). O objetivo deste ensino era orientar a igreja de como ganhar o irmão, que pela prática do pecado estava se perdendo.
Para entendermos melhor sobre Mateus 18: 15-20, precisamos verificar em que contexto ele se encontra. Todo este capítulo sugere um mesmo ensino (começando em 18:1 até 19: 1, quando diz: “E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras…”) . Bem, o Senhor começa falando do juízo que sofre aquele que faz tropeçar (se perder) um pequenino. Declara que “o Filho do homem veio salvar o que estava perdido”. Conta a parábola do homem que tendo uma ovelha perdida, procura até achá-la. Diz que “não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos. Só depois de contar estas parábolas, Ele ensina como “ganhar o irmão em pecado” . Ele queria que soubéssemos do amor do Pai pelos perdidos e do Seu desejo de ganhá-los, para que fossemos motivados por este mesmo amor.
A verdadeira motivação não encontra base no valor pessoal que tenho por um irmão, mas no valor que Deus tem por ele. Aqueles que se movem por amor, sabem que: “…maior prazer sentirá o Pai por causa da ovelha perdida e que foi achada, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram” (Mateus 18: 13).

Os motivos errados.

Vários são os motivos errados que têm levado os irmãos a dizer a verdade uns aos outros, aqui destacaremos alguns observados no meio da igreja.

• Para ser visto ou reconhecido – O amor não se ufana – auto-exaltação (Coríntios 13: 4).
• Por vingança – O amor é benigno, misericordioso (Coríntios 13:4).
• Por inveja – O amor não arde em ciúmes (Coríntios 13:4).
• Para me defender – O amor é paciente (Coríntios 13:4).
• Para competir – O amor não se ensoberbece (Coríntios 13:4).
• Quando estou irado – O amor não se exaspera (Coríntios 13: 5).
• Quando estou magoado – O amor não se ressente do mal (Coríntios 13:5).
• Pelo o meu próprio interesse – O amor não busca o seu próprio interesse (Coríntios 13:5).

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