Devocionais
A Indiferença
Indiferença - fugindo de uma vida insípida
A indiferença é a mãe das mazelas humanas, é ela que nos impede de vivenciar experiências maiores e melhores em Deus e nos distancia da possibilidade de trilhar uma estrada nova e mais desafiadora, nos rouba a oportunidade de renovar o fôlego ao sermos surpreendidos diante de conquistas das quais pensávamos não ser capazes. A indiferença nos acorrenta a superficialidade, nos aprisiona a mediocridade, nos cega os olhos, nos impede os sonhos, ela fecha diante de nós todas as portas que o Senhor abre deixando-nos nas mesmices patológicas de uma vida limitada.
No evangelho de Mateus vemos uma drástica descrição de indiferença, Pilatos, ao perceber que não poderia conter uma multidão enfurecida se absolvesse Jesus, e certo de que não poderia condená-lo, prefere optar pelo caminho covarde da indiferença (... mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão e disse: "Estou inocente do sangue deste homem; a responsabilidade é de vocês".) Mt. 27.24 NVI. Ao escolher esta estrada ele perde a oportunidade de fazer daquele encontro com Cristo algo que poderia, de fato, dar sentido a sua vida, mas o caminho fácil da indiferença lhe é tentador demais, Pilatos teve seus motivos e nós temos os nossos, talvez sejam os mesmos, talvez devamos nos debruçar sobre eles repensando nosso posicionamento ante a Cristo.
O primeiro agente de indiferença eu quero chamar de clamor social, a bíblia diz que a multidão pedia com fortes gritos que Jesus fosse crucificado e a "... gritaria prevaleceu." (Lc. 23.23), Pilatos desejava soltar Jesus e, ao mesmo tempo, agradar a multidão, mas isso era impossível, em nossos dias também há um clamor social, uma gritaria enorme que nos pede para sermos indiferentes em relação a Cristo. Na vida de muita gente esta gritaria tem prevalecido, quantos estão preferindo lavar as mãos diante de Jesus para ser aceito socialmente, fazer amigos, se compatibilizar profissionalmente, se tornar popular, se realizar sentimentalmente, manter-se competitivo no mercado, quantas vozes, quantos gritos nos pedem indiferença ao clamor dos céus.
O segundo agente de indiferença é o comprometimento com esta terra, a Bíblia diz que a despeito de Pilatos procurar libertar a Jesus os Judeus gritavam: "... Se deixares esse homem livre, não és amigo de César..." (Jo 19.12 - NVI), Pilatos tinha um comprometimento político, precisava preservar a imagem de "amigo de César", porque isso lhe trazia prestigio, lhe abria portas e lhe proporciona respeitabilidade. Muitos de nós vivemos o conflito de querer agradar a Deus sem falhar com os compromissos que assumimos com esta construção social deteriorada de nossos dias, sabemos que temos muito a perder, estamos tão entranhadamente comprometidos com as questões desta terra que nos percebemos inadequados a um envolvimento mais íntimo com Deus, obviamente as duas coisas são incompatíveis, não há como nos aprofundarmos em Deus sem rompermos com os compromissos que nos identificam com o mundo, como também é impossível amarmos o mundo sem nos tornarmos absolutamente indiferentes a todas as oportunidades que se apresentam de uma vida nova comprometida com os interesses de Deus.
O terceiro agente de indiferença que me saltou aos olhos é a existência de um tal "Gábata", assim esta escrito: "Ao ouvir isso, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se na cadeira de juiz, num lugar conhecido como pavimento de pedra (que em aramaico é Gábata)." ( Jo. 19.13 - NVI). Toda aquela multidão clamando lembrou a Pilatos que ele era o Juiz, ele tinha o poder da decisão, ele se assentava em um trono. Em nossas vidas também é assim, o mundo sempre nos faz lembrar quem é que manda, quem decide e possui a última palavra, o mundo sempre nos retira de um ambiente mais íntimo com Jesus e nos lembra que possuímos um trono, que somos senhores de nossas vidas e temos o governo dela. Possuir um "Gábata" é reservar-se ao direito de decidir, de ter a última palavra, o que nos desqualifica completamente da condição de discípulos de Jesus porque um discípulo é justamente alguém que possui um senhor, um dono, e que já não tem o governo, ser discípulo é não possuir um "Gábata". Quem esta assentado em seu trono optou por uma vida de indiferença ao governo de Deus.
O quarto e último agente de indiferença sobre o qual desejo me debruçar são as amarras filosófico-intelectuais, no capítulo dezoito versos trinta e sete e trinta e oito do evangelho de João vemos que Pilatos fica preso a superficialidade diante da possibilidade de ser revelado a cerca da pessoa de Jesus quando prefere ostentar intelectualidade ao convidar Jesus para um diálogo filosófico, o convite não é aceito porque Cristo, livre que é de tais amarras, teria outro objetivo com aquele encontro, mas a indiferença de Pilatos não o deixa perceber. Muitas vezes estamos tão interessados no saber que não temos condição de compreender, a necessidade de satisfazer nossas questões filosóficas e intelectuais se transformam em amarras que nos prendem impedindo-nos de receber revelação através de coisas simples, porque cristo não irá aceitar nossos "desafios" científicos, para ele só interessa o que de fato tem valor, só importa o que de fato pode acrescentar ao espírito e não ao intelecto.
Alguns anos depois Pilatos é deposto e morre de forma medíocre sem nenhuma das coisas que ele queria preservar a tanto custo. A pior coisa que pode acontecer em nossas vidas é a indiferença frente a todas as oportunidades que Deus tem colocado diante de nós, penso que vale a pena reavaliar nossa postura diante desses agentes de indiferença que percebemos na história de Pilatos, vejamos se em nossa própria história também não os percebemos e então cabe orar e agir para que jamais lavemos as mãos diante de tudo o que Ele tem nos dado.
Em Cristo, que nos chama a coisas maiores,
Alexandre Itaboraí Pr.