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Lesão no ligamento cruzado anterior pode ser contornada
Alterações como incômodos, dores, edema (inchaço) ou fincadas no joelho nunca devem ser ignoradas. A dica é do ortopedista Ernane Avelar Fonseca, cirurgião de joelho e coordenador do setor de ortopedia do Hospital Life Center. De modo geral, os fatores traumáticos são os principais na lista de queixas dos pacientes. Segundo Ernane Avelar, traumas da vida diária, como o sedentarismo, a sobrecarga de peso e o sobrepeso (obesidade) figuram entre os maiores responsáveis pelo desgaste das articulações do joelho, deixando-as vulneráveis a qualquer impacto e gerando incômodo.
No caso de atletas, eles podem sofrer lesões over use, ou seja, o uso excessivo das articulações pode comprometer a prática física. "Se a articulação do joelho de um corredor não estiver adaptada a um certo tipo de solicitação, o organismo se defende por meio da dor", explica o ortopedista.
Entre as lesões mais comuns do joelho, ele cita a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), lesão que ocorreu com a jogadora de vôlei de praia Juliana e a impediu de participar das Olimpíadas de Pequim. Segundo Ernane Avelar, o LCA é a sintonia fina do joelho, é o que dá sustentação ao corpo. "Hoje, a recuperação desse tipo de lesão é bem mais eficaz. Cerca de 90% dos lesionados ficam em condições perfeitas", comenta. "Em alguns casos, os pacientes voltam às atividades em até quatro meses depois da cirurgia."
O ortopedista recomenda que, para evitar lesões como a do LCA, o ideal é que a pessoa tenha uma boa preparação física, sempre acompanhada de um profissional capacitado. "A prática de exercícios freqüentes e orientados possibilita o fortalecimento muscular e das articulações do joelho, além do quadril, pé/tornozelo e do sistema de propriocepção, aquele que contribui para o equilíbrio ao corpo. É esse sistema que faz com que consigamos, por exemplo, andar no escuro ou em superfícies irregulares sem cair", explica.
Programas de reabilitação de pacientes com lesões no joelho têm surtido efeitos positivos, muitas vezes reduzindo o número de cirurgias ou minimizando e até eliminando o tempo de internação. João Paulo de Albuquerque é fisioterapeuta, especialista em reabilitação ortopédica e desportiva e um dos proprietários da Axis Fisioterapia, que funciona no Edifício Life Center. João Paulo explica que é muito comum que pacientes cheguem à clínica com diagnóstico de lesão do ligamento cruzado anterior (LCA), problema que afeta 60 a cada 100 mil pacientes por ano. No caso dos homens, atividades de contato como o futebol lideram o ranking de lesões, seguido pelo tênis, que também lesiona muitas mulheres.
Entre as queixas mais comuns, estão o falseio (quando há um desequilíbrio da articulação, provocado por ruptura do ligamento), dor e edema (inchaço).
Primeiramente, o fisioterapeuta faz uma avaliação para verificar o grau da lesão. Em muitos casos, a reabilitação dever ser pré-operatória para que o paciente se prepare para a cirurgia de reconstrução do LCA. "Geralmente, ao romper o ligamento, há restrição na amplitude de movimento da articulação. Devido à lesão, a pessoa sente que está mais travada e, algumas vezes, a ruptura pode estar associada à lesão no menisco", comenta.
ORIENTAÇÃO O especialista recomenda que, logo depois da lesão, é importante que a pessoa recorra a um ortopedista. "O quanto antes o paciente receber o diagnóstico, melhor é sua recuperação." Na fase pré-operatória, o ideal é que sejam feitas pelo menos 20 sessões de fisioterapia e que médico e fisioterapeuta estejam sempre trabalhando em conjunto.
Em outros casos, a fisioterapia somente é necessária numa fase pós-operatória. No 10º dia depois da retirada dos pontos, o paciente começa as sessões de reabilitação.
Para o estudante de comércio exterior Vitor Costa Martins, de 26 anos, a fisioterapia trouxe resultados positivos. Vítima de ruptura total do ligamento cruzado anterior e lesão no menisco medial, em maio, quando jogava futebol com os amigos, ele passou pela fisioterapia pré-operatória, fez a cirurgia e agora retornou à reabilitação fisioterápica. "Estava jogando bola e, ao pressionar a zaga, senti que meu pé travou e deu um estalo. Na hora, caí no chão e tive que ser levado direto para o hospital."
Vitor já largou as muletas, está fazendo reforço muscular para restaurar o movimento das articulações e reduzir o edema.
FASES DA REABILITAÇÃO
Fisioterapia pré-operatória
• Restauração da amplitude de movimento, com exercícios de alongamento, movimentação passiva e terapia manual.
• Fortalecimento muscular do membro inferior
• Preparação para a pós-cirurgia
• Geralmente, são 20 sessões antes do procedimento cirúrgico
Fisioterapia pós-operatória
• Começa 10 dias depois da retirada dos pontos
• Restauração da amplitude de movimento, com exercícios de alongamento, movimentação passiva do joelho,mobilização patelar e fricção da cicatriz
• Reforço muscular do complexo do quadril e dos músculos que envolvem o joelho
• Gelo para controle do edema
• Treino de marcha (retirada das muletas)
• Treino de propriocepção
• Treino funcional para o esporte específico
Fonte: Jornal Estado de Minas